quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

UMA VISITA CAPAZ DE TRANSFORMAR VIDAS

No início de Novembro os alunos membros do JCC fizeram uma visita à Casa de Repouso Cantinho da Vila, que ficará para sempre na memória de cada um.
     Amor. Este é, sem dúvida, o sentimento mais belo que alguém possa sentir. Porém ainda mais belo - e nobre - é transmiti-lo.
     Aquela sexta-feira tinha tudo para ser como outra qualquer. Mas nós estávamos dispostos à fazer dela um dia diferente. Um dia para ser lembrado, não só por nós.
     A visita à Casa de Repouso Cantinho da Vila estava marcada para às 14h, mas nós, estudantes membros do "Jovens Construindo a Cidadania" e os policiais militares, já trabalhávamos à algumas semanas para que tudo saísse perfeito. Sem dúvida nossa dedicação valeu a pena.
    Chegando à Casa de Repouso, era tangível a alegria e o entusiasmo no rosto de cada um de nós. Sabíamos que estávamos prestes à fazer a diferença na vida de pessoas que tanto careciam de carinho, que tanto careciam de atenção.
     Entramos.
     O que vi? Um lugar evidentemente bem conservado, limpo e muito organizado. Mas marcado pelo abandono. Pessoas que deveriam ocupar o lugar mais importante e digno de maior respeito em uma família, tinham sido a muito tempo esquecidas por esta. Cada simpático idoso que cumprimentávamos exibia uma expressão diferente, mas todos compartilhavam um mesmo sentimento: a carência.
    A missão do JCC? Levar um pouco de alegria e dar àquelas pessoas motivos para sorrir.
    Ora ouvíamos histórias e lembranças; ora quem ria éramos nós, com as piadas e brincadeiras que aqueles idosos - agora tão felizes - faziam; e ora lágrimas saltavam de nossos olhos sem que percebêssemos, ou porque éramos capazes de compartilhar o que aqueles idosos sentiam ou lembrávamos que não ficaríamos ali por muito tempo.
     Passei grande parte do tempo em um dos quartos, com a Cris, uma senhorinha realmente divertida. Além de muito simpática e educada, ela era risonha e comia um salgado atrás do outro. Um detalhe: Cris era coreana. Falava pouquíssimas palavras em português. Isso não foi um obstáculo. O carinho é capaz de derrubar barreiras linguísticas.
     Na espaçosa varanda estavam a maioria dos idosos, estudantes e policiais. Eu sentia o amor transbordar de cada conversa, de cada olhar e de cada gesto de bondade. Sentia esse amor me contagiar. Sentia um turbilhão de sentimentos, todos de uma vez. Era tão bom!
     Transformamos vidas naquele dia. Preenchemos vazios. Deixamos saudades. E o mais importante: transmitimos carinho. E claro que também recebemos este.
     Amor. Se cada pessoa dedicasse um pouco do seu tempo para transmitir esse nobre sentimento, teríamos a esperança de viver em um mundo diferente, melhor. Quando você doa amor à quem precisa deste, não resta dúvida de que sua vida se transforma tanto quanto a da pessoa que recebe. O amor é contagioso e vale mais que qualquer doação em dinheiro. Porque o amor nunca acaba.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

RETROSPECTIVA DOS FORMANDOS 2010

     A nossa despedida foi, sem dúvida, muito marcante! E nada melhor do que relembrar os melhores momentos de um ano que vamos guardar para sempre em nossos corações!





      A retrospectiva foi resultado de um trabalho em grupo feito com muita dedicação por nós, formandos. No qual vários alunos ajudaram no desenvolvimento do texto. A locução do vídeo contou com a voz de um dos próprios formandos.
     Vale tudo para não esquecer os momentos que passamos juntos!
     O vídeo foi exibido no último dia de aula e foi motivo lágrimas!

DIZEMOS ADEUS, MAS SÓ POR ENQUANTO...


Acabou! É o final de uma das primeiras etapas da nossa vida. A mais longa, e que lança base para o nosso futuro tanto na nossa educação, quanto na nossa personalidade. O que seremos daqui pra frente depende de tudo o que passamos, vivemos e aprendemos até agora. “Adeus” é uma palavra difícil de ser dita, principalmente para amigos, pois sabemos que nunca mais será da mesma forma.
         Aqui a gente fez e aconteceu. Cada um da forma que achou melhor. Alguns estudaram mais. Outros nem abriram a mochila... Podemos dizer que a maioria foi meio termo.
         Aproveitamos, curtimos, rimos, discutimos (MUITO, diga-se de passagem)... Ah, claro! Aprendemos algo aqui. E colamos também, afinal, “quem NÃO cola não sai da escola” e nós estamos saindo! (Tirem suas próprias conclusões)
         Cumprimos o nosso dever. Fizemos o possível e o impossível. Devemos isso a quem sempre nos apoiou e realmente se empenhou para nos ensinar. Agora, é cada um por si. Mas o mais importante do que o sucesso que conquistaremos, é o que já conquistamos aqui. Sentiremos saudades de tudo de bom que vivemos. E das pessoas que fizeram a diferença pra todos nós.
É o final, mas a ficha ainda não caiu pra muita gente. Lágrimas estão, sim, sendo derramadas. Mas fechamos o ano com chave de ouro, ao lado das melhores pessoas possíveis.

EM HOMENAGEM AOS FORMANDOS 2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

GINCANA MARCHETTI



      Nos dias 16 e 19 de Novembro, a "E. E. Ermano Marchetti", promoveu uma gincana. Com o objetivo de promover a interação entre os alunos, a gincana contou com a organização dos terceiros anos do Ensino Médio e de alguns professores.
      Os primeiros e segundos anos, foram divididos em equipes - roxa, laranja, vermelha e azul - e puderam participar de diversas atividades.
      No dia 16, aconteceu o Show de talentos, os participantes puderam cantar, dançar, tocar,  atuar (stand up)  e participar do Desafio Soletrando.


     No dia 19, tivemos cabo de guerra, queimada com bexigas d'água, cobrança de pênalti, basquete (arremesso) e vôlei.

   A gincana foi um sucesso! E contou em seu encerramento, com uma apresentação musical feita por alguns alunos do terceiro ano. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Uma contradição em si mesma

     O poder é um fator que modifica a personalidade de quem o adquire. Não é um aspecto único, pois se mostra de diferentes formas na vida das pessoas. Diz-se que "só se conhece uma pessoa de verdade quando ela adquire certa medida de poder", e é o que realmente acontece.
    Ao analisarmos a história humana, vemos que está repleta de experiências de pessoas que não souberam administrar o poder, o que até causou a morte de inocentes. Por exemplo: Hitler, Stalin, Mussolini. Até mesmo no cotidiano vemos pessoas ao redor que se julgam melhores.
   Camões escreveu que é melhor 'merecer (o poder) e não o ter, do que o ter sem merecer'. Isso nos mostra que o poder é uma conquista, onde a pessoa batalha e quando alcança o objetivo, não sabe administrá-lo, reprimindo assim as pessoas próximas. Há poucos casos em que o poder não foi algo negativo. Temos como exemplo Gandhi, lider de milhões que pregava a paz. Usou seu poder de forma a beneficiar outros.
   O poder em si não é algo ruim. O que o torna ruim são as pessoas que não sabem administrá-lo e usufruí-lo.


Autoras: Amanda Sanches e Stephanie Hansen


Postagem: Letícia Ferreira

domingo, 10 de outubro de 2010

Regime de Segregação Racial (Apartheid)


   Vidas Separadas?, melhor dizendo o nome da discriminação racial durante anos tomou conta da África do Sul e que só há pouco tempo deixou o país.
   O Apartheid foi um regime de segregação racial que durante anos tomou conta da África do Sul, no qual os brancos e negros viviam separados. E brancos sempre superiores mesmo sendo uma pequena minoria perante os negros com uma grande quantidade.
   Este sistema no qual, o país se curvou durante anos impôs uma série de leis, nas quais os negros eram vistos sempre em segundo plano. Escolas diferenciadas, bairros exclusivos para negros e dentre outras coisas, os negros não podiam circular em determinados locais das cidades.
Contra o Apartheid, se reuniram diversos líderes em prol da libertação e da igualdade africana. Porém o que mais se destacou e que serve de referência para provar o quanto a luta e o sacrifício de um homem vale a pena. Este foi Nelson Rotihlahla Mandela.
   Mandela foi o líder do movimento e ficou preso  durante 26 anos. No entanto, mesmo preso, ele conseguiu reunir forças internacionais pressionando o governo africano até gerar o fim do Apartheid.
   Mandela em 1994 tornou-se o 1º presidente negro do país, dando início ao um novo recomeço para esse país.

Colaboradores:
Izabele Cristina da Silva
Bruna Duzzi
Renata
Eduarda Bueno
Felipe Sampaio
3ºA

África: Chega de falar de pobreza!

    O continente africano é o terceiro maior da terra e o segundo mais populoso. A história africana é marcada por grandes lutas, conquistas, sofrimentos. História de um povo que, por muito tempo foi visto como inferior perante os olhos do mundo, olhos que não se importavam com o ser humano, mas sim com a riqueza e outros bens. A África é dividida em duas: África setentrional (África Branca) e a África Subsaariana (África Negra).
   Na África Setentrional não há muitos problemas como a África Subsaariana, em geral a África é composta por vários grupos étnicos, uma população de 1 bilhão de habitantes. Na África setentrional predominam os grupos mediterrâneos brancos (caucasóides e semitas) e a religião predominante é o islamismo que tem o maior número de seguidores no continente, cerca de 45% da população é Islâmica.
  A África hoje em dia, é mais vista pela parte Subsaariana; os maiores problemas desse continente se encontram lá. A religião majoritária no sul é o Cristianismo praticada por 35% dos africanos, porém a África também pode ser considerada como um continente multirreligioso, sua cultura é passada de geração em geração, suas crenças, costumes são coisas que não irão morrer com facilidade. A África possui uma grande variedade lingüística, entre as 2 mil línguas faladas na África estão os dialetos locais de raiz africana que foram misturados com os idiomas de seus colonizadores (europeus, ingleses, franceses e portugueses).
    A economia da África gira em torno da agricultura, apesar da exploração de minerais ter criado pólos de desenvolvimento no continente, mantendo como modelo pequenas lavouras de subsistência que empregam mais de 70% dos africanos, e a monocultura exportadora (café, cacau, algodão etc.). O dinheiro que vem com esses recursos não fica na mão do povo africano, fica nas mãos de pessoas de poder.
Com a economia pouco diversificada, os paises africanos tornam-se vulneráveis a choques internacionais, como a queda brusca nos preços das mercadorias africanas, fazendo com que o continente se desenvolva menos ainda. 
   A África é um continente muito rico, mas com recursos mal trabalhados, isso gera um desentendimento entre os cidadãos desse continente desencadeando assim uma série de conflitos. Os países que compõem a ONU deveriam ajudar esse continente que passa por momentos difíceis. A África não deveria ser dividida em África Branca e África Negra, o preconceito não deveria prevalecer.

Colaboradores:
Raissa Carolina Batista Cardoso
Anderson Leandro Teixeira
Gabriel Bragança Pinheiro
Yago Justino Raiano
Bianca Amélia E. Silva
Pedro Henrique Brandão de Melo
3ºA

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ÁFRICA - Vivendo Entre O Ouro E A Miséria






        Qual é a primeira coisa que lhe vem a cabeça, quando pensamos na África? A resposta é fácil: Waka Waka da Shakira! Mas a segunda é a POBREZA ou a DESIGUALDADE SOCIAL. Você já parou pra pensar, o porquê é tão fácil associar a África à miséria? Ou o porquê dela ser tão pobre?


Há séculos, o continente é explorado pelas potências mundiais e é o menos desenvolvido do planeta, apesar de ser tão rico em minerais e fontes de energia. Um exemplo dessas potências é a China que, atraída pelo petróleo africano, vem investindo no continente: desde de 2000, o comércio entre os dois aumentou 10 vezes. EUA, Reino Unido e França são outros países com forte presença comercial na África.
A economia africana é basicamente agrícola. Essa falta de diversificação torna os países do continente vulneráveis a choques internacionais. Fragilidade que levou boa parte das nações africanas, a recorrer á ajuda financeira e logo, se enrolar com a dívida externa. Nota-se com isso, o quanto a África vem se tornando “submissa” aos países que extraem seus minerais. Afinal, que outra opção os governos africanos teriam? O continente não é industrializado, não tem autonomia econômica e necessita dos países desenvolvidos. O que dá a idéia que esteja rolando um novo colonialismo no continente, a diferença do antigos é que agora, os países estão permitindo ser conquistados.
Outro fato que surpreende, é que das 24 nações com menor IDH, 22 estão na África. Mais da metade dos 1 milhão de subsaarianos tem renda inferior a 1,25 dólar por dia! OMG!
Chega a ser triste imaginar, que muitas pessoas não tem a chance se quer de comer! E como se não bastasse os conflitos na região são constantes e só agravam a situação.
As exportações de petróleo ajudam a impulsionar a economia africana, que vem crescendo 5% em média ao ano. CONTUDO, esse progresso não é traduzido em bem estar para a população. Todo o PIB da África junto (53 países) é menor, por exemplo, que o do Brasil sozinho! E digasse de passagem, os governos da África estão entre os mais corruptos do mundo.
Os países da África só começaram adquirir sua independência a partir dos anos 70, o que para alguns pode justificar sua falta de organização. De qualquer forma, os problemas da África parecem muito longe de um fim. Mas espera-se que um dia possamos todos nós, associar o continente não mais a fome e miséria, mas ao seu povo alegre e forte, as suas lindas paisagens e, é claro a músicas como a da Shakira.


Autor: Edson Caldas

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Luta pela moradia: resistência e repressão.

O mês de agosto foi marcado por uma escalada de ações policiais de desocupação contra famílias de trabalhadores sem-teto em todo o Brasil. Houve desocupações em São Paulo, Recife, Maceió, só para citar algumas cidades onde foram registradas essas ações, no mais das vezes violentas, contra o povo que luta pela moradia. Sob o argumento da “revitalização” de áreas das grandes cidades se esconde a especulação imobiliária, quase sempre uma associação entre grandes construtoras e imobiliárias e parcelas do poder público.
Reflexos da crise econômica
Dados do Censo de 2000 mostram que são 2.360.000 domicílios em favelas, em todo Brasil. Cerca de 70% dessas favelas se concentram nas 32 maiores cidades do país. O empobrecimento está empurrando um contingente cada vez maior da população para a vida nas favelas.
Na cidade de São Paulo, os favelados eram 1 % da população em 1973; em 1980 eram 4 %, em 1990 eram 8%, e ultrapassam 10% em 2000. Um estudo feito pela Prefeitura de São Paulo identificou 2.018 favelas, com 378.863 domicílios para 1,16 milhão de pessoas.
A pesquisa mostrou que de 1991 a 2000 surgiu uma favela a cada oito dias na metrópole paulistana, como resultado do desemprego e da redução de rendimentos que se abateu sobre os trabalhadores na década de 90.
Pesquisa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) mostra que, em junho de 2005, houve 2.212 ações de despejo (92,7% do total das ações locatícias) na Comarca da capital, contra 2.104 em maio, o que significa um aumento de 5,13%. A elevação foi de 7% em relação ao mesmo mês de 2004, quando houve 2.067 ações.
Enquanto isso...
Segundo dados do Ministério das Cidades, o déficit de moradias, que antes era de 6,6 milhões, passou para 7,2 milhões. Nas áreas urbanas o acréscimo foi de 5.414 mil para 5.470 mil unidades, ao passo que nas áreas rurais o déficit subiu de 1.241 mil para 1.752 mil. De acordo com o levantamento oficial mais recente, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2002, 23,3% dos domicílios urbanos de todo o país não têm esgotamento sanitário e 10,7% não dispõem de água encanada.
Enquanto a política econômica e social do governo federal beneficia os banqueiros e a grande burguesia, tratando com total descaso a área social e o problema da moradia, o povo implementa suas próprias medidas, concretas, para resolver a questão, organizando-se e ocupando áreas e edifícios abandonados nas cidades.
Resistência e Repressão
Na maioria dos casos, os trabalhadores sem-teto resistem às ações de desocupação.
Em Recife, um confronto ocorrido dia 23 de agosto entre sem-teto do Movimento de Luta e Resistência Popular (MLRP) e a polícia, durante a reintegração de um prédio no Centro, deixou três feridos. Trinta e um sem-teto foram levados à delegacia, inclusive seis crianças. Segundo reportagem da Folha de SP, “os sem-teto não atenderam os oficiais de Justiça encarregados de notificá-los da decisão. A PM foi acionada e enviou um carro com três homens ao local. Os invasores atearam fogo em um pneu e ergueram uma barricada na entrada do prédio. Das janelas do segundo e terceiro pisos, os manifestantes, com os rostos cobertos, passaram a jogar pedras contra os policiais. Um oficial de Justiça e um PM foram atingidos. O carro da corporação teve um vidro quebrado. ‘Não vamos sair’, gritavam. Diante da resistência, a Tropa de Choque foi mobilizada. Ao chegar ao local, também foi recebida a pedradas. Garrafas e coquetéis molotov foram lançados das janelas. Os policiais atiraram balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo”. Atingido por uma bala de borracha, Marcelo Gerson de Paula, um dos líderes da ocupação, perdeu a visão do olho direito.
Em São Paulo, as cerca de 300 pessoas, entre as quais 110 crianças, que ocupavam o edifício 112 da Rua Plínio Ramos, na região central da cidade desde 2003 foram expulsas no último dia 16 de agosto em ação violenta da PM. Vinte e cinco pessoas ficaram feridas, entre elas 20 sem-teto, sendo cinco menores, segundo informou o advogado do movimento, André Araujo. Foram detidas 20 pessoas. A polícia avançou sobre os manifestantes usando spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Moradores e repórteres afirmam que muitos policiais estavam sem identificação, e que houve agressão contra moradores e manifestantes.
Edineusa Ferreira Gomes de Paula, de 20 anos, despejada da ocupação, desabafa: "Só ganho um salário mínimo. Mal dá para comer, comprar fralda e remédio para meu filho. Esse é o projeto social que o governo quer para a gente: a rua".
"Queremos que as famílias sejam tratadas com dignidade. Moradia é um direito", afirma Nelson da Cruz Souza, coordenador do Movimento de Moradia da Região do Centro (MMRC) de São Paulo, onde 79 famílias foram expulsas pela PM, em ação violenta, no último dia 16. "Sabíamos da reintegração, mas não havia alternativa para a gente, nós iríamos para a rua", disse Souza ao comentar a resistência dos moradores.
Em Maceió mais de 100 mil famílias vivem em assentamentos irregulares. Um deles é o Conjunto Vitória, no bairro Tabuleiro, onde foram morar trabalhadores que não tinham mais como pagar aluguel ou que perderam tudo com a última chuva.
Um exemplo contundente do drama da falta de moradia, e também da disposição de resistir à desocupação é o de João Empório dos Santos. Com rendimento fixo de um salário mínimo que só lhe chegou na aposentadoria, João Empório dos Santos conseguiu, aos 75 anos de idade, levantar as paredes de uma casinha numa área invadida. É lá onde ele mora, há cerca de sete meses, com a mulher e um filho. Investiu tudo o que tinha na construção e na compra de duas galinhas, mas achou que, enfim, conseguira um chão para a sua família. A alegria durou pouco. João Empório e as 140 famílias que invadiram a área estão com ordem de despejo decretada pela Justiça. “Não saio nem na tabica [“chicote” N.R.]. Essa casinha é a única coisa que tenho”, avisa João Empório, com o determinação de quem defende a própria vida.
Como seu João, outros moradores da área ocupada, cansados de esperar pelas promessas de uma casinha num lugar mais seguro, gastaram o que não tinham para construir uma moradia. “Tirei R$ 1.500 de empréstimo para aposentados para pagar em três anos; R$ 80 por mês”, diz Maria Tereza da Conceição. Ao construir sua casa no Conjunto Vitória, onde mora com dois filhos e quatro netos, ela pensou que teria, enfim, o sossego de ter onde morar. “Nunca passei tanto aperreio na vida. É uma pressão medonha. Já chegaram aqui com marreta, caminhão, trator, tudo para derrubar. Só Deus tem nos valido”, diz ela.
Esta é a realidade: o Brasil é o vice-campeão da concentração de renda no mundo. Bilhões e bilhões de reais do dinheiro público são canalizados para pagamento de juros da dívida interna e externa, são destinados a uma casta de ricos e bilionários. E como resultado dessa política econômica faltam verbas para atender as necessidades mais básicas do povo, como a habitação.
Para se ter uma idéia: Com os R$ 153 bilhões (previsão de pagamento de juros para 2005) poderiam ser construídas casas populares que acabariam o déficit habitacional brasileiro de 7,2 milhões de casas e ainda sobrariam R$ 53 bilhões para investir em saneamento básico e infra-estrutura dos bairros populares. (Veja o artigo O verdadeiro “mensalão”:o governo federal paga R$ 153 bilhões aos bancos e especuladores)

Em outras palavras, a política econômica em curso, que aprofunda a submissão do Brasil ao imperialismo e aumenta a exploração e a miséria do povo tem como contrapartida a resistência do povo. Daí a necessidade, do ponto de vista das classes dominantes, de aumentar a repressão, incentivando a criminalização dos movimentos populares.
As ações de reintegração de posse fazem parte de uma ofensiva da administração pública que tem atingido os trabalhadores sem-teto, em sua maioria desempregados ou trabalhadores informais. Ao invés de garantir o cumprimento da função social dos prédios abandonados e das áreas urbanas não utilizadas, e acabar com a especulação imobiliária sobre eles, a "revitalização urbana" que vem sendo realizada nas cidades pelos poderes públicos mantém e aprofunda o drama da falta de moradia no Brasil.
Como já afirmamos com relação à violenta desocupação de 2862 famílias sem-teto em Goiânia, no início deste ano, na qual foram assassinados dois sem-teto, “é recorrente o uso da força policial para tratar a questão da moradia no Brasil, e a tentativa, por parte da grande imprensa e das classes dominantes, de criminalizar os sem-teto e legitimar o Estado policial e repressor, antidemocrático, que vem se constituindo no Brasil”.


Redator: Cesar Bezerra
Postagem: Letícia Ferreira

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pesquisa aponta crescimento de 57% na população de rua em SP

A população em situação de rua aumentou 57% na cidade de São Paulo, de acordo com pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), encomendada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura.


A pesquisa considera que moradores de rua são "pessoas que não têm moradia e que pernoitam nas ruas, praças, calçadas, marquises, jardins, baixos de viadutos, mocós, terrenos baldios e áreas externas de imóveis" e acolhidos são "pessoas que, também sem moradia, pernoitam em albergues ou abrigos" públicos.


Os distritos da região central da cidade reúnem o maior número de pessoas morando nas ruas. A República lidera, com 1.570 moradores (24% da população do distrito), seguida por Sé, com 1.195 (18% da população) e Santa Cecília, com 309 (5% da população).


Na relação dos acolhidos, a Mooca, na zona leste está em primeiro lugar, com 1.145 (16% da população do distrito), seguido por Santa Cecília, com 1.025 (14% da população), e Pari, com 763 (11% da população).


Em 2000, quando foi realizado o último levantamento, havia 8.706 pessoas morando nas ruas. Já em 2009, ano da coleta de dados, eram 13.666 --4.960 pessoas a mais.


A cidade tem cerca de 8.000 vagas de albergues e outros centros de acolhida (moradias provisórias, hotéis sociais, etc.). De acordo com o censo, 7.079 pessoas moram em algum desses equipamentos da prefeitura. Os demais 6.587 vivem nas ruas mesmo.


Fonte: Folha Online
Redatora: Stephanie Hansen

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Urbanização expulsa animais do seu habitat

No período em que se comemoram o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio) e o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), faltam motivos para celebrar. Com a ocupação imobiliária de áreas da Avenida Luiz Viana Filho (Salvador – BA) e adjacências, animais endêmicos da vegetação nativa perdem o habitat e migram cada vez mais para áreas habitadas.

No último dia 10, um jacaré-de-papo-amarelo foi recolhido em concessionária de veículos da avenida. Surpreso, o gerente Alecsandro Nogueira não acreditou quando encontrou o animal, de 1,5 m, parado na entrada do estabelecimento: “Foi uma surpresa. Eu já tinha encerrado o expediente. Fui para a parte externa e, quando voltei, vi o jacaré. Ele estava paradinho, na porta, me olhando”.

Alecsandro pensou que fosse uma pegadinha. Quando percebeu que não se tratava de uma brincadeira, decidiu ligar para o 190 e pedir auxílio à Polícia Ambiental. “Liguei e solicitei a remoção. Demorou 40 minutos para chegar. Acharam que era um trote”.

Sucuri é resgatada numa área brejosa da região da Avenida Paralela.
(Foto: Iracema Chequer / A Tarde)

Extinção

Além do jacaré-de-papo-amarelo, que é uma espécie ameaçada de extinção, outro animal ameaçado foi visto fora do habitat este mês. No dia 17, um tamanduá-mirim foi encontrado numa residência no bairro de Patamares, enquanto dormia próximo aos carros.

“Ele entrou pelo meu quintal e ficou na garagem. Depois, subiu na árvore e ficou lá. Ficamos observando para onde ele iria”, conta a médica veterinária Caroline Dias.

Ela relata que ligou para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), mas não conseguiu contato, pois o instituto estava em greve. A Companhia de Polícia de Proteção Ambiental da PM (Coppa), ao ser contatada por Caroline, informou que só poderia recolher o animal depois de atender a 11 solicitações anteriores. A maioria delas para a remoção de cobras em áreas residenciais.

O tamanduá não foi levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres Chico Mendes (Cetas/Ibama), como aconteceu com o jacaré. “Ele saiu do meu terreno, mas continuou pendurado na árvore”, diz Caroline, que se acostumou a ver animais silvestres adentrarem a casa. “O ouriço-cacheiro também aparece aqui. Tem muitos deles nessa região”.

De acordo com o capitão da Coppa Moisés Brandão, 124 animais foram resgatados só na primeira quinzena do mês de maio. “São serpentes, sucuris e jiboias encontradas próximo a áreas de charco, ou seja, áreas inundadas, principalmente na Paralela”, afirma. Segundo ele, a região conta com grande número de empreendimentos, e, por questão de segurança, os animais resolvem migrar. “Esse já é o quarto jacaré que a gente pega desde o ano passado. Eles saem para procurar defesa e alimento”, afirma.

O capitão Brandão conta que as áreas de maior ocorrência são Paralela, São Cristóvão, Suburbana e Imbuí. “Exatamente onde existem movimentos das escavadeiras e de caminhões. Com isso, o animal não se sente seguro”, reforça o militar.

Fonte: A Tarde
Redatora: Anne Catharine


Governo anuncia redução de déficit habitacional no País

O Ministério das Cidades aproveitou a abertura do 5.º Fórum Urbano Mundial, no Rio,  para anunciar uma redução do déficit habitacional brasileiro estimado para 2008. Elaborado pela Fundação João Pinheiro, o estudo aponta déficit de 5,8 milhões de domicílios no País, ante 6,3 milhões em 2007.
Ao anunciar o resultado, o ministro das Cidades, Marcio Fortes, citou dois programas do governo federal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. Ele afirmou que "o Brasil está atacando o déficit habitacional e as condições de moradia estão melhorando".
Dos 5,8 milhões de domicílios apontados no estudo, a maioria (82%) está localizada em áreas urbanas. As principais regiões metropolitanas do País abrigam 1,6 milhão desses domicílios, o que representa 27% da carência habitacional. O déficit representa 10,1% do estoque de domicílios do País. A análise por renda mostra que o déficit está concentrado na faixa de até 3 salários mínimos (89,2%) e na de três a cinco salários mínimos (7%).
A metodologia elaborada pela fundação e adotada pelo Ministério se baseia em um "conceito amplo de necessidades" que engloba tanto o déficit habitacional quantitativo (por incremento ou reposição do estoque de moradias) como o déficit por inadequação (deficiências na qualidade de vida de seus moradores, como infraestrutura inadequada). Em termos absolutos, o mesmo estudo já havia apontado uma redução do déficit habitacional em 2007, na comparação com 2006, quando ele foi estimado em 7,9 milhões de domicílios.


Fonte:  estadao.com.br
Redatora: Stephanie Hansen.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Características das favelas

      As características associadas a favelas variam de um lugar para outro. Favelas são normalmente caracterizadas pela degradação urbana, elevadas taxas de pobreza e desemprego. Elas normalmente são associadas a problemas sociais como o crime, toxicodependência, alcoolismo, elevadas taxas de doenças mentais e suicídio. Em muitos países pobres, elas apresentam elevadas taxas de doenças devido as péssimas condições de saneamento, desnutrição e falta de cuidados básicos de saúde. Um grupo de peritos das Nações Unidas criou uma definição operacional de uma favela como uma área que combina várias características: acesso insuficiente à água potável, ao saneamento básico e a outras infraestruturas; má qualidade estrutural de habitação; superlotação; e estruturas residenciais inseguras.Pode-se acrescentar o baixo estado socioeconômico de seus residentes.
      A maior parte dos habitantes das favelas é pobre, vivendo com menos de 100 dólares por mês. Acidentes, principalmente decorrentes de pluviosidade forte, são freqüentes em áreas assim. As favelas também sofrem pelo crime, tráfico de drogas e lutas de gangues.
Há rumores de que os códigos sociais nas favelas proíbam que os habitantes cometam crimes dentro de seus limites. As gangues locais acabam se tornando uma milícia particular da região, policiando-a à sua própria maneira. No entanto, a maioria das favelas exibe altos índices de crimes violentos, em especialhomicídios. A existência das supostas milícias, segundo alguns estudiosos, aponta para a existência de uma espécie de "código de honra" interno, o qual, caso não respeitado, pode levar à execução por parte deste efetivo Estado paralelo.
       Em muitas favelas, especialmente nos países pobres, muitos vivem emvielas muito estreitas que não permitem o acesso de veículos (comoambulâncias e caminhões de incêndio). A falta de serviços como a coleta de resíduos permitem o acúmulo de detritos em grandes quantidades. A falta de infraestrutura é causada pela natureza informal das habitações e pela ausência de planeamento para os pobres por funcionários dos governos locais. Além disso, assentamentos informais enfrentam muitas vezes as consequências das catástrofes naturais e artificiais, tais como deslizamentos de terra, terremotos e tempestades tropicais. Incêndios são um problema frequente.
        Muitos habitantes de favelas empregam-se na economia informal. Isso pode incluir venda de algum produto na rua, tráfico de droga, trabalhos domésticos e prostituição. Em algumas favelas os moradores reciclam resíduos de diferentes tipos para a sua subsistência.
Favelas muitas vezes estão associadas ao Reino Unido da Era Vitoriana, especialmente nas cidadesindustriais do norte. Estes assentamentos ainda eram habitados até a década de 1940, quando o governo britânico começou a contruir novas casas populares. Durante a Grande Depressão, favelas também surgiram nos Estados Unidos onde eram denominadas hoovervilles.
       Um relatório da ONU relativo a 2010 aponta que 227 milhões de pessoas deixaram de viver em favelas na última década. Na Índia, a redução da população favelizada no mesmo período foi de 125 milhões.  


Redatora: Manuella Andrade

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Viena é cidade com melhor qualidade de vida, diz pesquisa

CINGAPURA (Reuters Life!) - Viena manteve-se como a cidade com melhor qualidade de vida do mundo, numa pesquisa anual dominada por cidades europeias.
A pesquisa da consultoria em gestão Mercer disse que as cidades da Europa Ocidental continuam muito boas, apesar da crise econômica. Zurique aparece em segundo lugar, seguida por Genebra. Das 25 melhores cidades do mundo para se viver, 16 ficam no Velho Continente. As alemãs Dusseldorf, Munique e Frankfurt estão entre as "top 10".
"O padrão geral de vida na Europa Ocidental continua bem acima da média mundial", disse a Mercer em nota. "A despeito dos atuais desafios econômicos, a maioria das mudanças ocorridas na Europa Ocidental foi positivas e cobria vários fatores, inclusive escolas, habitação, recreação e serviços públicos."
O Canadá e a Nova Zelândia também se saíram bem entre as 221 cidades incluídas na pesquisa. Vancouver e Auckland ficaram empatadas em quarto lugar. Das cinco melhores cidades para se viver na América do Norte, todas são canadenses. A pesquisa diz que a crise causou um declínio na qualidade de vida nas cidades dos EUA - a mais bem colocada, Honolulu, aparece apenas em 31o lugar.
Na América Latina e Caribe, a mais bem colocada foi Pointe-à-Pitre, na ilha francesa de Guadalupe, que no entanto não ficou entre as 50 melhores.
A melhor cidade do Oriente Médio é Dubai (75o lugar). Na África, é Port Louis, nas ilhas Maurício (82o).
No Oriente, Cingapura continua sendo a melhor (28a posição), seguida pelas japonesas Tóquio (40a), Kobe, Yokohama (empatadas em 41a), Osaka (51a) e Nagoia (57a)
Slagin Parakatil, pesquisador-sênior da Mercer, disse em nota que a qualidade de vida como um todo se manteve estável em 2009 e no primeiro semestre de 2010, mas que em certas regiões o ambiente de negócios se deteriorou por causa da recessão.
Das 221 cidades pesquisadas, Bagdá tem a pior qualidade de vida.
Em relação à lista do ano passado, seis novas cidades foram incluídas. E desta vez foi criado também um ranking ambiental - Calgary (Canadá) lidera, seguida por Honolulu, em segundo, e Ottawa e Helsinque (empatadas em terceiro).

Fonte:  Uol
Redatora :  Beattriz Fleury

Quiz - Pandemias



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Postado por: Tamires Vasconcellos

"Minha Casa Minha Vida"



      A Caixa Econômica disse ainda que irá oferecer assistência técnica aos municípios mais carentes na elaboração de projetos para o programa "Minha Casa Minha Vida", por meio do qual o governo federal financia moradias populares às famílias com renda até dez salários mínimos.
    Queremos priorizar a construção de casas nesses municípios. Temos 67 mil unidades do Minha Casa Minha Vida no estado do Rio para serem contratadas neste ano. Mas dependemos dos projetos das prefeituras. Sem eles, o projeto é inviabilizado. Além disso, o poder público precisa fazer parceria conosco para doar terrenos, no caso de habitações para famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos, destacou Lima.
       No Rio de Janeiro, 14.822 mil unidades já estão em fase ou em vias de construção e cerca de 16 mil ainda podem ser financiadas pelo programa. Os números não incluem as 4.080 unidades que faziam parte do programa PAR e serão em breve inseridos no Minha Casa Minha Vida.
        Niterói já tem 2 mil casas contratadas e ainda pode contratar, por meio do programa do governo federal, 1.625 unidades habitacionais. São Gonçalo, a cidade mais prejudicada pelas recentes chuvas, tem 4.200 unidades previstas no projeto e 3.534 de contrato.
        Todas as agências da Caixa na região metropolitana, Baixada Fluminense e em Niterói já estão recebendo donativos para as vítimas da chuva.
 


Redatora: Maisa Ribeiro

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Esclarecendo suas dúvidas: PRÉ-SAL



Pré-sal é a denominação das reservas petrolíferas encontradas abaixo de uma profunda camada de sal no subsolo marítimo, que também é chamada subsal. As rochas que contêm petróleo neste tipo de local normalmente são encontradas em regiões abissais, de difícil acesso e localização.

O Brasil se destaca no cenário mundial como o primeiro do mundo a encontrar petróleo na região pré-sal. Estas também são as maiores reservas conhecidas em zonas da faixa subsal. Além do Brasil, já foram identificadas outras áreas com forte potencial petrolífero em águas ultra-profundas, como Congo, Gabão, México e Cazaquistão.

Confirmados, existem três campos de pré-sal: Tupi, Iara e Parque das Baleias, que vão de Santa Catarina até o Espírito Santo. Esses mais de 800 km de extensão da bacia de petrolífera já levaram a produção de 14 bilhões para 33 bilhões de barris. Ainda em prospecção, existem outras áreas, que poderão render de 50 a 100 bilhões de barris ao ano.

E COMO SE FORMA O PETRÓLEO?
Houve um tempo em que os continentes não tinham separação alguma entre si. África era colada na América, que era grudada na Ásia e na Europa. Quando se separaram as placas tectônicas, que formariam América do Sul e África, surgiram mares rasos, pântanos, mangues, onde se depositavam toda sorte de micro-organismos. Os espaços preenchidos por aquela matéria aquosa eram verdadeiras sopas de proteínas vivas. Com o passar dos milênios, e das Eras Glaciais, mais e mais micro-organismos se acumulavam ao longo do leito do mar, junto com sedimentos de rochas, areia, sal. Esse acúmulo formou as rochas depósito, que contém o petróleo que hoje é extraído.

Milhões de anos se encarregaram de formar uma larga camada de sal — resultado de evaporação da água naqueles grandes e rasos lagos salobros —, que foi coberta pelos oceanos quando do degelo das calotas polares. Novas eras glaciais se seguiram, e os novos degelos trouxeram mais partículas para o fundo do mar, formando mais uma camada de rochas sedimentares.

Estes micro-organismos sedimentados no fundo do oceano, soterrados sob pressão e com oxigenação reduzida, degradaram-se muito lentamente e com o passar do tempo, transformaram-se em petróleo, como o que hoje é encontrado no litoral do Brasil.

LOCALIZAÇÃO
As reservas de petróleo encontradas na camada pré-sal do litoral brasileiro estão dentro da área marítima considerada zona econômica exclusiva do Brasil, no espaço de até 200 milhas da costa. São reservas com petróleo considerado de média a alta qualidade, segundo a escala API. Estão localizadas nas águas territoriais brasileiras e na zona econômica exclusiva. O conjunto de campos petrolíferos do pré-sal se estende entre o litoral dos estados do Espírito Santo até Santa Catarina, com profundidades que variam de 1000 a 2000 metros de lâmina d'água e entre quatro e seis mil metros de profundidade no subsolo, chegando portanto a até 8000m da superfície do mar, incluindo uma camada que varia de 200 a 2000m de sal. Segundo Márcio Rocha Mello, geólogo e ex-funcionário da Petrobrás, a área do pré-sal poderia ser bem maior do que os 800 quilômetros, se estendendo de Santa Catarina até o Ceará.

O conjunto de descobertas situado entre o Rio de Janeiro e São Paulo (Bem-te-vi, Carioca, Guará, Parati, Tupi, Iara, Caramba e Azulão ou Ogun) ficou conhecido como “Cluster Pré-Sal”, pois o termo geral “Pré-Sal” passou a ser utilizado para qualquer descoberta em reservatórios sob as camadas de sal em regiões petrolíferas do Brasil. Ocorrências semelhantes sob o sal podem ser encontradas nas Bacias do Ceará (Aptiano Superior), Sergipe-Alagoas, Camamu, Jequitinhonha, Curumuxatiba e Espírito Santo, sendo que a grande diferença deste último é que o sal é alóctone, que significa que não foi formado no local onde se encontra enquanto o brasileiro e o africano são autóctones, ou seja, se formou onde se localiza atualmente.

EXTRAÇÃO E TECNOLOGIA
A descoberta do petróleo nas camadas de rochas localizadas abaixo das camadas de sal só foi possível devido ao desenvolvimento de novas tecnologias como a sísmica 3D e sísmica 4D, de exploração do oceano, mas também de técnicas avançadas de perfuração do fundo do mar. A Petrobras afirma que já possui tecnologia eficaz na extração do óleo da camada. O escopo da empresa é desenvolver inovações tecnológicas que permitam maior rentabilidade, principalmente nas áreas abissais.

Em setembro de 2008, a Petrobras começou a explorar petróleo da camada subsal em pequena escala. Esta primeira exploração ocorre no Campo de Jubarte, também chamada de Bacia de Campos.

Um problema a ser enfrentado pelo país diz respeito ao ritmo de extração de petróleo e o destino desta riqueza. Se o Brasil extrair todo o petróleo muito rapidamente, este pode se esgotar em uma geração. Se o país se tornar um grande exportador de petróleo bruto, isto pode provocar a sobrevalorização do câmbio, dificultando as exportações e facilitando as importações. Este fenômeno é conhecido como "mal holandês", que pode resultar na queda de produtividade de outros setores, como a indústria e agricultura.

CURIOSIDADE
Os nomes que se anunciam das áreas do Pré-Sal possivelmente não poderão ser os mesmos, pois se receberem o status de "campo de produção", os mesmos deverão ser batizados, segundo o artigo 3o da Portaria ANP nº 90, com nomes ligados à fauna marinha.



Fonte: Tô Sabendo Mais
Redator: Edson Caldas

sexta-feira, 21 de maio de 2010

MORADIA EM SÃO PAULO: Regularização de favelas e loteamentos chega à Constituição paulista

Assembléia Legislativa promulga emenda à Constituição do Estado que permitirá encaminhar a regularização de milhões de moradias no Estado; secretário estadual de habitação se compromete a priorizar o tema em seus trabalhos.
SÃO PAULO – Tardou, mas aconteceu. A Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) promulgou a emenda constitucional 33/07, primeiro passo para encaminhar a regularização de milhões de moradias no Estado.
A emenda altera o artigo 180 da Constituição paulista, que passa a permitir a regularização de áreas de uso público ocupadas por moradias de interesse social – como favelas e loteamentos populares – e possibilita aos proprietários obter suas escrituras definitivas. São Paulo era uma das poucas unidades da federação que ainda não permitia tal iniciativa por parte do poder público. A medida favorece diretamente a população de baixa renda e moradores de áreas irregulares estabelecidos até 2004.
Raimundo Bonfim abriu a cerimônia de promulgação da emenda, representando a Central de Movimentos Populares (CMP). Para Bonfim, a mudança representa uma adaptação da realidade social aos instrumentos jurídicos existentes no Brasil, especialmente o Estatuto da Cidade. “Era uma questão da Constituição que estava ultrapassada”. Ele registrou que os movimentos sociais realizaram cerca de cinco grandes mobilizações na Alesp em relação ao tema, até a aprovação da proposta. “Parabéns pela conquista e pela luta”, destacou Bonfim, para quem agora o principal desafio será manter uma relação com o Executivo estadual, e principalmente com as prefeituras, “para ter as primeiras regularizações em breve”.
Com a emenda à constituição, caberá ao poder Executivo de cada município aprovar legislação específica para desenvolver ações na direção prevista agora pela Constituição Estadual.
O secretário estadual de Habitação, Lair Krähenbühl, também participou da mesa do evento, e registrou que “o governador José Serra deu-me uma incumbência: ‘ponha as energias e os recursos da secretaria a serviço das regularizações’”. Sendo bastante aplaudido pela fala, o secretário disse em seguida estar comprometido em dedicar 60% do orçamento de 2007 da pasta para iniciativas de regularização fundiária e urbanização de áreas com infra-estrutura precária. Krähenbühl defendeu ser “mais importante regularizar as moradias já existentes do que construir novas unidades”, mas afirmou também que “não vamos parar de construir!”.

Os índices da Secretaria apontam em 1,2 milhão de moradias o déficit de unidades a serem regularizadas na capital. No total do Estado, são 2,2 milhões de moradias a serem regularizadas. Se, por um lado, a Grande São Paulo concentra cerca de 65% do problema, o secretário frisou em entrevista à Carta Maior a importância de se encarar a questão como uma dificuldade de todo o Estado e não somente da Região Metropolitana da capital.


Fonte: Agência Carta Maior
 Redatora: Débora Sebestyen