Donos de imóveis de cinco bairros de classe média da zona sul da capital paulista - Parque Jabaquara, Vila Fachini, Vila do Encontro, Cidade Vargas e Cidade Leonor - entraram para a lista dos moradores que serão desapropriados pela Prefeitura de São Paulo depois que o traçado do túnel que ligará a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes foi alterado.
Ainda não há dados oficiais da administração sobre quantas casas serão afetadas. Mas, segundo a administração municipal, essa informação será conhecida ainda no primeiro semestre. Além dessas propriedades, outras 13 favelas, além das 16 que já estavam previstas para serem reassentadas, também podem vir a ser retiradas do entorno da Operação Urbana Água Espraiada.
Nas 29 comunidades morariam em torno de 50 mil pessoas, segundo lideranças locais. A Prefeitura, porém, diz que esse número está superestimado. Nas 15 primeiras comunidades já cadastradas pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) desde novembro, sabe-se que existem 6 mil famílias, ou cerca de 18.100 pessoas.
Imóveis desses cinco bairros foram incluídos na lista de desapropriações depois que a Prefeitura mudou o local por onde o túnel vai passar para baratear o custo da obra. O anúncio sobre a alteração foi feito em novembro. O túnel seria construído do lado esquerdo do córrego Água Espraiada. Agora, será do lado direito. Dessa forma, dezenas de casas serão colocadas abaixo para dar lugar às alças de acesso do túnel, poços de ventilação e áreas de respiro da obra.
"Se o traçado original fosse mantido, mais bairros seriam afetados", diz o engenheiro Roberto Molin, da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Siurb). O traçado original previa 3,8 quilômetros de túnel. Agora o projeto tem 2,4 quilômetros.
Protesto
Revoltados com a revelação de que terão de deixar suas casas, moradores mandaram fazer cem faixas para colocar nos imóveis em protesto. Eles temem avaliações injustas, abaixo do valor de mercado. "Isso não vai ocorrer em hipótese alguma", afirma Molin. As informações são do Jornal da Tarde.
Redatora: Letícia Ferreira.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Igreja Metodista de Joanesburgo abriga 3 mil zimbabuanos.
(abrange o mesmo assunto do post anterior)
O congolês Senga Thotho aposta que os ataques poderão se repetir em breve.
"Foi tudo organizado e com a conivência da polícia. A violência contra os imigrantes parou com a proximidade da Copa do Mundo, mas acho que vai voltar depois. Muitos sul-africanos ainda nos culpam pelos problemas do país ", conta.
Thotho vive em um quarto de 12 metros quadrados próximo ao estádio Ellis Park, em Joanesburgo. Uma moradia suja e mal conservada, como é regra entre os imigrantes africanos que chegam ao país para tentar um futuro melhor.
Os refugiados se acomodam em qualquer canto da igreja
Uma Igreja Metodista no centro de Joanesburgo tornou-se símbolo desta desordem. São quase três mil zimbabuanos vivendo permanentemente lá - um prédio de cinco andarem com poucos pontos de luz, vidros e portas quebrados, sujeira, bastante hostil a quem tenta visitá-lo.
"É impressionante ver tanta gente vivendo nessas condições, mas elas me dizem que aqui é melhor que o Zimbábue", explica Sedi Mbelani, psicóloga que atende crianças que moram na igreja.
Small Street, no centro de Joanesburgo, reúne milhares de refugiados
Em junho de 2009, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou relatório sobre a situação alarmante dos imigrantes na África do Sul. Mas pouca coisa mudou desde então. O MSF dá assistência a 2,3 mil pessoas todo mês. Só de 1o de março de 2010 até agora recebeu 71 sobreviventes de violência sexual na cidade de Musina, que faz fronteira com o Zimbábue e é a principal porta de entrada dos zimbabuanos. Todos os dias cerca de 300 passam por lá.
"Os imigrantes arriscam suas vidas quando cruzam a fronteira e os estupros promovidos por gangues ocorrem em números chocantes. Muitos passam a vida em Johanesburgo, onde continuam tendo a saúde ameaçada e ainda enfrentam incertezas sobre seu futuro no país", explica Mickael Le Paih, chefe de missão do MSF na África do Sul.
Postagem: Letícia Ferreira.
Invasão de imigrantes vira problema social na África do Sul.
Estrangeiros são 10% da população, sendo que muitos vivem na miséria.
Maior comunidade é de zimbabuanos com 3 milhões de pessoas.
A terra da Copa do Mundo é também a terra das oportunidades para todo um continente. Ano após ano milhões de africanos cruzam a fronteira da África do Sul, a maior economia da região. Antes mesmo de conforto ou luxo, buscam muitas vezes apenas um emprego e uma perspectiva. A maior comunidade é a dos zimbabuanos, que fugiram da grave crise econômica que devastou o país e elevou o desemprego a inacreditável taxa de 95%. Estima-se que cerca de 3 milhões morem atualmente na África do Sul. Significa que um quarto da população do Zimbábue se mudou para o vizinho.
Há também milhares de nigerianos, moçambicanos e congoleses, entre outros. Estima-se que 10% dos 49 milhões de habitantes da África do Sul sejam estrangeiros. O movimento migratório tornou-se um problema social na África do Sul, país onde o desemprego atingiu 24% segundo a última estatística, de 2009. Muitos sul-africanos acusam os imigrantes de espalharem doenças como a Aids e de roubarem seus empregos, como mostrou uma pesquisa coordenada pelo Instituto de Imigração do Sul da África.
De fato é muito comum ver estrangeiros como domésticas ou garçons. Trata-se de uma mão-de-obra em geral mais barata e muito dedicada.
A violência contra os imigrantes parou com a proximidade da Copa do Mundo, mas acho que vai voltar depois. Muitos sul-africanos ainda nos culpam pelos problemas do país"
Senga Thotho, imigrante congolês
A tensão chegou ao ponto máximo em 2008, quando ataques xenofóbicos em várias cidades do país deixaram 62 mortos e outros 13 mil desabrigados. Um zimbabuano de 20 anos, morador de Polokwane (uma das sedes da Copa do Mundo), relembra o dia em que sofreu o ataque.
"Um grupo de pessoas invadiu minha casa e pediu para que eu mostrasse minha identidade sul-africana. Disse que não tinha e eles começaram a me agredir com pedras, socos e chutes. Consegui fugir, mas eles me pegaram de novo e me bateram muito até eu ficar coberto de sangue no chão. Só me deixaram porque acharam que eu estava morto", descreve.
Redator: Fábio Augusto
Postagem: Letícia Ferreira
Presidente e ministro entregam moradias a 624 famílias de Recife
Famílias de baixa renda viverão em conjunto habitacional próximo à Praia de Boa Viagem
O presidente Lula e o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, entregaram 624 moradias a famílias de baixa renda do Recife nesta sexta-feira (7), em cerimônia que também reuniu o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o prefeito de Recife, João Costa, no Bairro da Imbiribeira, na capital pernambucana.
O presidente Lula lembrou que os novos moradores do Habitacional 3 ocupavam uma área próxima do local onde foi construído o residencial, próximo ao Bairro de Boa Viagem, região nobre de Recife. “As pessoas foram removidas de um lugar onde passará uma via importante da cidade e não foram simplesmente jogadas para longe da cidade. Aqui perto, vocês têm estação de metrô, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e podem ir à praia a pé”, afirmou.
Redator: Daniel Caria
O presidente Lula e o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, entregaram 624 moradias a famílias de baixa renda do Recife nesta sexta-feira (7), em cerimônia que também reuniu o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o prefeito de Recife, João Costa, no Bairro da Imbiribeira, na capital pernambucana.
O presidente Lula lembrou que os novos moradores do Habitacional 3 ocupavam uma área próxima do local onde foi construído o residencial, próximo ao Bairro de Boa Viagem, região nobre de Recife. “As pessoas foram removidas de um lugar onde passará uma via importante da cidade e não foram simplesmente jogadas para longe da cidade. Aqui perto, vocês têm estação de metrô, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e podem ir à praia a pé”, afirmou.
Redator: Daniel Caria
segunda-feira, 17 de maio de 2010
'FT': infraestrutura atrapalha "futuro brilhante" do Brasil
Problemas como o trânsito, as favelas, a precariedade dos aeroportos e estradas, e a deficiência no tratamento de água e esgoto estão atrapalhando o "futuro brilhante" do Brasil, segundo uma série de reportagens produzidas para um caderno especial sobre a infraestrutura nacional, publicado nesta quinta-feira pelo jornal britânico Financial Times.
"Os planos estão na mesa. A economia está crescendo. Os investidores estão fazendo fila... Mesmo assim, o novo futuro brilhante do Brasil parece ainda estar fora de alcance", diz o artigo que abre o caderno. "O panorama para a infraestrutura (brasileira) é profundamente irregular", afirma o FT.
Como exemplo de problemas, o jornal cita a "assustadora" tarefa de se urbanizar favelas, evidenciada pelos recentes desabamentos no Rio; a melhoria "lenta" dos transportes públicos enquanto o País compra mais carros do que suas ruas comportam; a confusão sobre as responsabilidades de Federação.
Redatora: Beattriz Fleury
domingo, 16 de maio de 2010
Expulsos do Jardim Romano tentam criar um bairro
Cinco meses após o Jardim Romano ser inundado por enchentes, 139 famílias que perderam suas casas tentam agora recomeçar suas vidas em um terreno particular ocupado na Vila Curuçá. Os dois bairros ficam na zona leste. Entidades ligadas ao movimento dos sem-teto ajudam as famílias a erguer barracos de madeira e banheiros coletivos, além de controlar quem entra no local. O barulho ou som alto é proibido após as 22 horas, para não incomodar os vizinhos. A luz elétrica já ilumina as ruas da ocupação, onde entram todos os dias carros lotados de donativos e de cestas básicas arrecadados pelo Movimento Terra Livre.
As famílias dizem que o bolsa-aluguel de R$ 300 mensais pagos pela Prefeitura é insuficiente para alugar um imóvel. "Aqui foi a única opção que nos restou. Com R$ 300 não consigo alugar nem quarto em cortiço", reclama a dona de casa Eliete Jesus Almeida, de 36 anos. "Ficamos desabrigados no dia 8 de dezembro e até agora nenhuma moradia foi construída", afirma Renata Nere, de 27 anos, que vivia havia 9 no Jardim Romano, apelidado pelos moradores de Jardim Pantanal. Renata só falou com a reportagem após autorização das entidades que coordenam a ocupação. "Existe uma comissão de imprensa", disse.
Os vizinhos no entorno solicitaram a presença da PM, que mantém duas viaturas em frente à ocupação. O terreno onde estão as famílias do Jardim Romano é cercado por sobrados residenciais e por um conjunto de edifícios que está prestes a ser inaugurado. O terreno ocupado tem 10 mil metros quadrados e pertence a um agricultor da região, mas foi declarado de utilidade pública pela Prefeitura em fevereiro. É um dos nove espaços nos quais o governo pretende construir até 5 mil moradias para os desabrigados de bairros localizados na várzea do Rio Tietê, no extremo leste da cidade. No local está prevista a construção de um conjunto habitacional com 228 apartamentos, que serão financiados pela Companhia Metropolitana de São Paulo (Cohab), empresa da Prefeitura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Redatora: Letícia Ferreira
Sem-teto armam barracas ao lado da Prefeitura de SP
Cerca de 700 sem-teto armaram barracas na calçada do Viaduto do Chá, ao lado do prédio da Prefeitura de São Paulo, após duas mil famílias terem ocupado dois prédios abandonados na região central e um terreno na zona sul da cidade. Segundo a Frente de Luta por Moradia (FLM), o uso dos três locais para construção de moradias de interesse social é uma antiga reivindicação do movimento.
No centro, foram ocupados o Edifício Prestes Maia, próximo à Estação da Luz, e um edifício na Avenida Nove de Julho que pertencia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As famílias também ocuparam um terreno em M''Boi Mirim.
Ivaneti de Araújo, coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), afirma que 172 famílias despejadas em 2007 do Edifício Prestes Maia ainda não têm onde morar, apesar de muitos prédios na região central estarem vazios. "Há mais de 400 imóveis vazios no centro, com dívidas milionárias de IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana), que poderiam se tornar moradia de interesse social", diz.
Em carta aberta, a FLM afirma que "moradia digna é um direito" e pede projetos de habitação popular, aquisição das terras por preços justos, desapropriação dos imóveis dos devedores de impostos e medidas fiscais, como o imposto progressivo para os imóveis vazios e abandonados.
Fonte: Estadão
Redatora: Tamires Vasconcellos
Assinar:
Postagens (Atom)



